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    Escrito por Ju Goyano às 11h23
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    Sei que amo

     

    Sei que amo.

    A toda circunstância.

    E tudo de mim é amor.

    Nada em ti é deserto

    Com todo o meu afeto.

    Repleto de rima.

     

    Será mais que qualquer dialeto.

    Além de toda linguagem, acima.

    Expresso em postais, na bagagem.

    Em selos simples, nunca sem cor.

     

    E tudo de mim és tu.

    Sei que amo, sigo correto.

    Circunstancialmente ao infinito.

    E nada em mim é feio.

     

    Engraçado, me sinto bonito.

    E rio, rio... acho certo
    O preenchido vazio.

    E alegre esteio.

     

    É, sei que amo.

    Que sei onde estou sem estar.

    Em mim vive tu, endereço.

    Que lá amo, não esqueço.

     

    Em qualquer circunstância,

    Vou te amar.



    Escrito por Ju Goyano às 01h27
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    O dilema da tristeza

    Lágrimas não vertem à toa.

    Mora no outro a tristeza?

    No vazio de dentro,

    Recosta, ecoa?

    No vácuo de si?

     

    Então, dilema:
    – Sim ? Não? Quiçá?

    Se fico, metade se vai, problema.

    Se vou, metade fica

    E o resto nem sabe onde está.

     

    Mora lá, junto com ela?

    Dando sentido,

    Razão?

    Vazio meu,coração?

    Lágrimas na janela.

     

    Vertem de algum lugar,

    Salgam letras, portas.

    Vem e vão.

    Não brotam à toa.

    E tal como nascem desaparecerão?

     

    Então, dilema:
    – Quiçá? Sim ? Não?



    Escrito por Ju Goyano às 01h16
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    O desconhecido

    De fora, todo sofrimento é pouco. Mas compartilho horas salgadas, noites insones, crianças que se perderam. Porque na busca de enxergar o óbvio, vê-se mais além, sentimento. Mas veja que se projetam dizeres, aqueles, bem-acompanhados versos, tão concretos, a acompanhar tantas coisas. Então, digo que eram importantes os nomes delas. Mas, sabe, há coisas que não se alcançam, nomeiam, porque a alma, dizem, morre não.  Daí poder-se render à vida, tal como se organiza, que essência nunca cessa, mesmo sem nome. Menina, ainda, percebe o devir e os vários lados de uma história. De dentro, de fora, o táctil e o invisível. O lado do outro, que é o que quer que assim seja, com suas faces ocultas, porém – novamente o invisível a sombrear esclarecimentos. Dar nomes às sombras é tampouco sensato, quanto apreendê-las sem chamá-las daquilo que nos significa. O indizível, inominável, obscuro, portanto, perigoso. O desconhecido é o mesmo: amedronta enquanto cativa. No paradoxo dos tempos, eis o limite. Tão odiado e perseguido limite...



    Escrito por Ju Goyano às 17h08
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    A fuga da poetisa

    Por que emudeces?

    Cala-te diante da história ruim

    como se dela nada sobrasse.

    “Do mau amor o bom em mim”,

    seria o certo sempre dizer.

    E faça-o florescer,
    senão te padeces.

     

    Por que te escondes?

    Lia-te em letras miúdas,

    Em horas vagas, vazias.

    Lia tanto, tanto

    e de avidez tão absurda,

    que escrevia, escrevia...

    Agora me faço muda.

     

    Lembra que dizia?

    “Queria promulgar a certeza
    de palavras concretas sobrepostas à poesia”

    Peço, pois, o in-verso.

    Que as falas mais certas,

    acertadas se escreviam

    em poemas que te peço.

     

    Preencha-me as horas, as dúvidas.

    Quero saber-te,

    mesmo espinafrando o passado,
    justificando versos em palavras avessas

    Teus ou meus - não importa.

    Quero ler-te em brandos escritos.

    Ou pesados.

     

    Por que emudeces?

     

    Temo encontrar-te morta.

     

    *******

     

    Mora nas palavras...

    ...o passado escondido.
    ...a mentira implícita

    ...o mal não revelado.

    ...o sentimento reprimido.

    Vêm em metáforas.

     

    ********



    Escrito por Ju Goyano às 11h59
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